Colegas,
Tenho recebido muitas indagações sobre o futuro curso de Jornalismo, após a decisão do STF sobre não obrigatoriedade de qualquer formação para que se possa atuar como jornalista no Brasil. Vou aqui traçar algumas considerações, em caráter estritamente pessoal, uma vez que ainda não pudemos reunir nossos professores para discutir o assunto.
Considero a decisão do STF totalmente equivocada, pois o que se criou foi um vácuo total no entendimento sobre o que é o jornalismo e sobre quais as condições mínimas para que se garanta à sociedade uma informação de qualidade. Acredito que, mesmo aqueles que consideravam a exigência do diploma uma reserva de mercado, corporativismo etc, entendem que a atividade jornalística carece de uma formação superior mínima, e que fazer jornalismo não seja um receita de bolo que qualquer um com boa mão consiga. Sabemos que é mais que isso.
Considero também que o momento deve ser de calma. Acredito que a situação vá se resolver, pois tal absurdo não deve propsterar, e a sociedade deve agir contra isso. Instituições como ABI, OAB, Universidades pelo Brasil afora têm protestado contra o equivocado entendimento do STF.
Não acredito em debandada de alunos, ou no fim do curso, como tenho sido questionado. O curso continuará oferecendo um ensino de qualidade e uma formação sólida para aqueles que realmente querem ser jornalistas, com capacidade técnica e discernimento sobre o papel do Jornalismo na sociedade. É deste tipo de profissional que o mercado vai continuar precisando, e não de diletantes, que colocam a qualidade jornalística em risco. Temos sim que manter o curso atualizado sobre os rumos da comunicação social, do jornalismo, sobre os impactos das novas tecnologias, e como um espaço de reflexão sobre estes e muitos outros temas atinentes à profissão.
Não estamos de luto, estamos de luta.
Eduardo Freire
Coordenador do Curso de Jornalismo da Unifor